Angola celebrou dez anos de paz no último dia 4 de abril, após passar por quase trinta anos de conflitos internos. Os avanços em termos econômicos e sociais são notáveis no decênio 2002-2012 e a percepção geral – visível nas ruas desta capital - é de que Angola caminha "para a frente". Não obstante, os desafios e obstáculos a serem superados são muitos e de grande monta para um país que se lança como polo de investimentos e protagonista continental.
Angola observou um crescimento econômico significativo, acima de 10% na média, nesses últimos dez anos de paz, e o valor de sua economia equivale hoje a cerca de 6% do PIB e 10% do comércio africanos, bem como a 5% dos fluxos de investimento do continente. O PIB angolano multiplicou-se no mínimo dez vezes desde o ano de 2002, ultrapassando a casa dos US$ 90 bilhões.
A economia e o produto de Angola permanecem, porém, profundamente vinculados às receitas provenientes da atividade petrolífera e, em consequência, refletem as oscilações dos preços internacionais do petróleo. Essa dependência ficou clara durante a crise econômica mundial de 2008: com a queda do preço do petróleo, caíram também as receitas do Governo, os investimentos estrangeiros e as reservas internacionais. Em 2011, 60% da receitas do Estado foram oriundos da atividade petrolífera.
A partir do ano 2000, a balança comercial tornou-se superavitária para Angola, tendo havido elevado incremento das exportações do país, que de US$ 7 bilhões em 2002 passaram a US$ 69 bilhões em 2011, por conta do aumento da produção e dos preços do petróleo (97% das exportações do país). A produção de Angola passou de 896 mil barris diários, em 2002, para 1,7 milhões bpd nos últimos dois anos (era de 746 mil bpd em 2000). O país disputa com a Nigéria o título de maior produtor de petróleo da África subsaariana. A expectativa é de que a produção em 2012 chegue a 1,8 milhões de barris diários. As recentes descobertas do pré-sal deram novo alento à capacidade de endividamento e aos planos de médio e longo prazos do Governo.
O controle inflacionário foi outro dos avanços no decênio em tela, embora a taxa anual de inflação continue elevada e afete diretamente a maioria da população, de renda muito baixa. De 325% em 2000 e 108% em 2002, o país registrou um aumento de preços de 11,4% no último ano. A meta do Governo, bastante ambiciosa, é reduzir a taxa para um dígito no próximo ano. Os alimentos são os que mais contribuem para o aumento da inflação no país. Alguns estudos apontam que uma cesta de bens que custasse US$ 2 em 2000 hoje custaria US$ 7,5, um aumento de 375% no decênio. O elevado custo de vida e o aumento dos preços são sentidos pelo grosso da população. Em 2000, 42,4% da população vivia com menos de US$ 2 por dia, realidade que pouco deve ter melhorado (não há dados atualizados). Ademais, Luanda continua na lista das cidades mais caras do mundo.
Em termos percentuais, a estrutura do PIB está assim dividida: Petróleo - 47,06%; Comércio e Serviços - 21,19%; Agricultura - 9,85%; Construção - 7,74%; Indústria Transformadora - 5,84%; Diamantes - 0,78%; Pescas e Derivados - 0,21%; Energia - 0,13%; Outros - 7,20%. Desse quadro, destacam-se os avanços da participação, ainda que modestos, dos setores da agricultura, da indústria e do comércio, em contraste com a diminuição dos setores do diamante e petrolífero, embora este último continue sendo a principal alavanca de crescimento do país.
O Governo tenta agora recuperar os níveis anteriores de crescimento pré-2008 e diversificar a todo custo sua economia, processo que avança lentamente. O Executivo tem tentado fomentar a indústria local, em especial a de bens de consumo, por meio de PPPs e de parcerias entre empresas angolanas e estrangeiras, instaladas por vezes em Zonas Econômicas Especiais. A estatal Sonangol expandiu seu escopo de atuação e tornou-se sócia de companhias nacionais e estrangeiras do setor da construção civil e da indústria, de modo a capitalizar empresas e viabilizar novos investimentos. Novas leis tentam lidar com esse quadro e fomentar a iniciativa privada. Destacam-se a nova lei do investimento privado, que dá vantagens fiscais ao grande investidor, a lei de micro e pequenas empresas, além da lei sobre as PPPs, todas de 2011.
Angola concluiu em maio último o acordo de stand-by firmado em 2009 com o FMI, tendo sido bastante elogiada pelos resultados alcançados. Em três anos, o país passou a gozar de câmbio estável, inflação em queda, balança fiscal positiva (10,5% do PIB) e reservas internacionais recordes (US$32 bilhões ou 7,5 meses de importações, em jun/12). Com a ajuda do FMI, do Banco Mundial e de consultores internacionais, o Executivo tem aprimorado sua habilidade na condução das políticas macroeconômicas e na elaboração de leis e marcos regulatórios para a atividade econômica. Sinal dessa melhoria, a Fitch, em maio último, elevou o rating angolano para "BB-" com perspectiva "positiva" (antes, a qualificação era "estável"), por conta da prudência de Angola na condução de políticas que contribuíram para a recuperação e o fortalecimento das contas pública e externa, tornando o país menos vulnerável aos choques nos preços do petróleo.
Outro setor que registrou avanços notáveis foi o setor bancário, que cresce velozmente e conta hoje 24 instituições comerciais, em sua maioria privadas. A despeito da crise mundial, os lucros do setor foram recordes nos últimos anos, ainda que concentrados nos cinco maiores bancos locais. A rentabilidade dos capitais próprios (ROE) dos bancos angolanos é na média 1,74 vezes superior a dos bancos africanos, o triplo da dos americanos e 5,4 vezes superior a dos bancos europeus. O setor peca, porém, pela qualidade dos produtos e serviços oferecidos ao público, bem como pelas altas taxas cobradas.
Angola observou um crescimento econômico significativo, acima de 10% na média, nesses últimos dez anos de paz, e o valor de sua economia equivale hoje a cerca de 6% do PIB e 10% do comércio africanos, bem como a 5% dos fluxos de investimento do continente. O PIB angolano multiplicou-se no mínimo dez vezes desde o ano de 2002, ultrapassando a casa dos US$ 90 bilhões.
A economia e o produto de Angola permanecem, porém, profundamente vinculados às receitas provenientes da atividade petrolífera e, em consequência, refletem as oscilações dos preços internacionais do petróleo. Essa dependência ficou clara durante a crise econômica mundial de 2008: com a queda do preço do petróleo, caíram também as receitas do Governo, os investimentos estrangeiros e as reservas internacionais. Em 2011, 60% da receitas do Estado foram oriundos da atividade petrolífera.
A partir do ano 2000, a balança comercial tornou-se superavitária para Angola, tendo havido elevado incremento das exportações do país, que de US$ 7 bilhões em 2002 passaram a US$ 69 bilhões em 2011, por conta do aumento da produção e dos preços do petróleo (97% das exportações do país). A produção de Angola passou de 896 mil barris diários, em 2002, para 1,7 milhões bpd nos últimos dois anos (era de 746 mil bpd em 2000). O país disputa com a Nigéria o título de maior produtor de petróleo da África subsaariana. A expectativa é de que a produção em 2012 chegue a 1,8 milhões de barris diários. As recentes descobertas do pré-sal deram novo alento à capacidade de endividamento e aos planos de médio e longo prazos do Governo.
O controle inflacionário foi outro dos avanços no decênio em tela, embora a taxa anual de inflação continue elevada e afete diretamente a maioria da população, de renda muito baixa. De 325% em 2000 e 108% em 2002, o país registrou um aumento de preços de 11,4% no último ano. A meta do Governo, bastante ambiciosa, é reduzir a taxa para um dígito no próximo ano. Os alimentos são os que mais contribuem para o aumento da inflação no país. Alguns estudos apontam que uma cesta de bens que custasse US$ 2 em 2000 hoje custaria US$ 7,5, um aumento de 375% no decênio. O elevado custo de vida e o aumento dos preços são sentidos pelo grosso da população. Em 2000, 42,4% da população vivia com menos de US$ 2 por dia, realidade que pouco deve ter melhorado (não há dados atualizados). Ademais, Luanda continua na lista das cidades mais caras do mundo.
Em termos percentuais, a estrutura do PIB está assim dividida: Petróleo - 47,06%; Comércio e Serviços - 21,19%; Agricultura - 9,85%; Construção - 7,74%; Indústria Transformadora - 5,84%; Diamantes - 0,78%; Pescas e Derivados - 0,21%; Energia - 0,13%; Outros - 7,20%. Desse quadro, destacam-se os avanços da participação, ainda que modestos, dos setores da agricultura, da indústria e do comércio, em contraste com a diminuição dos setores do diamante e petrolífero, embora este último continue sendo a principal alavanca de crescimento do país.
O Governo tenta agora recuperar os níveis anteriores de crescimento pré-2008 e diversificar a todo custo sua economia, processo que avança lentamente. O Executivo tem tentado fomentar a indústria local, em especial a de bens de consumo, por meio de PPPs e de parcerias entre empresas angolanas e estrangeiras, instaladas por vezes em Zonas Econômicas Especiais. A estatal Sonangol expandiu seu escopo de atuação e tornou-se sócia de companhias nacionais e estrangeiras do setor da construção civil e da indústria, de modo a capitalizar empresas e viabilizar novos investimentos. Novas leis tentam lidar com esse quadro e fomentar a iniciativa privada. Destacam-se a nova lei do investimento privado, que dá vantagens fiscais ao grande investidor, a lei de micro e pequenas empresas, além da lei sobre as PPPs, todas de 2011.
Angola concluiu em maio último o acordo de stand-by firmado em 2009 com o FMI, tendo sido bastante elogiada pelos resultados alcançados. Em três anos, o país passou a gozar de câmbio estável, inflação em queda, balança fiscal positiva (10,5% do PIB) e reservas internacionais recordes (US$32 bilhões ou 7,5 meses de importações, em jun/12). Com a ajuda do FMI, do Banco Mundial e de consultores internacionais, o Executivo tem aprimorado sua habilidade na condução das políticas macroeconômicas e na elaboração de leis e marcos regulatórios para a atividade econômica. Sinal dessa melhoria, a Fitch, em maio último, elevou o rating angolano para "BB-" com perspectiva "positiva" (antes, a qualificação era "estável"), por conta da prudência de Angola na condução de políticas que contribuíram para a recuperação e o fortalecimento das contas pública e externa, tornando o país menos vulnerável aos choques nos preços do petróleo.
Outro setor que registrou avanços notáveis foi o setor bancário, que cresce velozmente e conta hoje 24 instituições comerciais, em sua maioria privadas. A despeito da crise mundial, os lucros do setor foram recordes nos últimos anos, ainda que concentrados nos cinco maiores bancos locais. A rentabilidade dos capitais próprios (ROE) dos bancos angolanos é na média 1,74 vezes superior a dos bancos africanos, o triplo da dos americanos e 5,4 vezes superior a dos bancos europeus. O setor peca, porém, pela qualidade dos produtos e serviços oferecidos ao público, bem como pelas altas taxas cobradas.
Fonte: Itamaraty