quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

História de Angola

Território habitado já na Pré-história como atestam vestígios encontrados nas regiões das Lundas, Congo e o deserto do Namibe, apenas milhares de anos mais tarde, em plena proto-história, receberia povos mais organizados. Os primeiros a instalarem-se foram os bochmanes - grandes caçadores, de estatura pigmóide e claros, de cor acastanhada.

No início do século VI d.C., povos mais evoluídos, de cor negra, inseridos tecnologicamente na Idade dos Metais, empreenderam uma das maiores migrações da História. Eram os Bantu e vieram do norte, provavelmente da região da actual República dos Camarões. Esses povos, ao chegarem a Angola, encontraram os Bochmanes e outros grupos mais primitivos, impondo-lhes facilmente a sua tecnologia nos domínios da metalurgica, cerâmica e agricultura. A instalação dos Bantu decorreu ao longo de muitos séculos, gerando diversos grupos que viriam a estabilizar-se em etnias que perduram até aos dias de hoje.

Em 1484 os portugueses atracaram no Zaire, sob o comando do navegador Diogo Cão, a partir deste marco os portugueses passaram a conquistar não apenas Angola, mas África. Já instalada a primeira grande unidade política do território, passaria à história como Reino do Congo, os portugueses estabeleceram aliança. A Colónia portuguesa de Angola formou- se em 1575 com a chegada de Paulo Dias de Novais com 100 famílias de colonos e 400 soldados. Paulo Dias de Novais foi o primeiro governador português a chegar a Angola, que tinha como principais acções explorar os recursos naturais e promover o tráfico negreiro (escravatura) formando um mercado extenso.

A partir de 1764, de uma sociedade esclavagista, passou-se gradualmente a uma sociedade preocupada em produzir o que consumia. Em 1850, Luanda já era uma grande cidade, repleta de firmas comerciais e que exportava conjuntamente com Benguela, óleos de palma e amendoim, cera, goma copal, madeiras, marfim, algodão, café e cacau, entre outros produtos. Milho, tabaco, carne seca e farinha de mandioca começariam igualmente a ser produzidos localmente. Estava a nascer a burguesia angolana.

Entretanto, em 1836, o tráfico de escravos era abolido e em 1844, os portos de Angola seriam abertos aos navios estrangeiros. Com a conferência de Berlim, Portugal viu-se na obrigação de efectivar de imediato a ocupação territorial das suas Colónias. O território de Cabinda, a norte do rio Zaire, seria também conferido a Portugal, graças à legitimidade do Tratado de Protectorato de Simulambuko, assinado entre os reis de Portugal e os príncipes de Cabinda, em 1885. Depois de uma implantação morosa e complicada, o final do século XIX marcaria a organização de uma administração colonial directamente relacionada com o território e os povos a governar. Na economia, a estratégia colonial assentava na agricultura e na exportação de matérias-primas. O comércio da borracha e do marfim, acrescido pela receita dos impostos tomados às populações, gerava grandes rendimentos para Lisboa.

O fim da monarquia em Portugal em 1910 e uma conjuntura internacional favorável levariam as novas reformas ao domínio administrativo, agrário e educativo. No plano económico, inicia-se a exploração intensiva de diamantes. A DIAMANG (Companhia de Diamantes de Angola) é fundada em 1921, embora operasse desde 1916 na região de Luanda. Com o Estado que se pretende extensivo à Colónia, Angola passa a ser mais uma das províncias de Portugal (Província Ultramarina). A situação vigente, era aparentemente tranquila. No segundo cartel do século XX, esta tranquilidade seria posta em causa com o aparecimento dos primeiros movimentos nacionalistas. Inicia-se a formação de organizações políticas mais explícitas a partir da década de 50 que, de uma forma organizada iam fazendo ouvir os seus gritos. Promovem campanhas diplomáticas no mundo inteiro, pugnando pela independência. O Poder Colonial, não cederia, no entanto, às propostas das forças nacionalistas, provocando o desencadear de conflitos armados directos, a “Luta Armada”. Destacaram-se na “Luta”, o MPLA (Movimento Popular para a Libertação de Angola) fundado em 1956, a FNLA (Frente Nacional para a Libertação de Angola) que se revelou em 1961 e a UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola) que foi fundada em 1966. Depois de longos anos de confrontoso País alcança a independência a 11 de Novembro de 1975.

Passados 27 anos da Independência e 41 do início da Luta Armada, eis que a Paz finalmente é consolidada a 4 de Abril de 2002 pelos acordos assinados no Luena, Moxico. 80.000 soldados da UNITA depõem as armas e são integrados na sociedade civil, nas Forças Armadas Angolanas e na Polícia Nacional. A UNITA, é transformada em partido político, tem o seu papel na vida democrática do país. A Reconciliação Nacional e o Processo de Desenvolvimento e Reconstrução Nacional são para o Chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, os principais objectivos da paz definitivamente alcançada em 2002, após longos anos de luta e negociações.

Desde 1992, ano das primeiras eleições gerais, que a democracia multipartidária governa Angola. O MPLA em conjunto com a UNITA e outras forças políticas com assento parlamentar, geriu magistralmente a reconstrução de um dos países de futuro mais promissor de toda a África que, no entanto, paradoxalmente com a sua riqueza natural vive ainda uma duríssima realidade. No âmbito de uma ampla programação empurrando Angola para a modernidade, progresso e riqueza, novas eleições foram realizadas em 2008. O MPLA, que sempre governou desde a Independência, soube preservar a identidade nacional. Do MPLA, saíram os dois presidentes que Angola teve até ao momento. O primeiro, o fundador da Nação Angolana, o Dr. Agostinho Neto e o segundo e actual Presidente da República, o Eng. José Eduardo dos Santos, que se tornou, aquando da sua investidura, em 1979, o mais jovem presidente do continente. Na cena internacional, Angola vem dando forte apoio a iniciativas que promovam a paz e a resolução de disputas regionais, favorecendo a via diplomática na prevenção do conflito e a promoção dos direitos humanos.

Símbolos Nacionais
 A Bandeira

A bandeira nacional da República de Angola foi adoptada em 1975, por altura da proclamação da Independência.

A Bandeira Nacional tem duas cores dispostas em duas faixas horizontais. A faixa superior é de cor vermelho-rubra e a inferior de cor preta e representam:

a) Vermelho-rubra – o sangue derramado pelos angolanos durante a opressão colonial, a luta de libertação nacional e a defesa da Pátria;

b) Preta – o Continente Africano

No centro, figura uma composição constituida por uma secção de uma roda dentada, simbolo da solidariedade internacional e do progresso.

A roda dentada, a catana e a estrela são de cor amarela que representa a riqueza do País.


 A Insígnia da República

A Insíngnia da República de Angola é formada por uma secção de uma roda dentada e por uma ramagem de milho, café e algodão, representando respectivamente os trabalhadores e a produção industrial, os camponeses e a produção agrícola.

Na base do conjunto, existe um livro aberto, simbolo da educação, cultura e o sol nascente, significando o Novo País. Ao centro está colocada uma catana e uma enxada, simbolizando o trabalho e o início da luta armada. Ao cimo figura a estrela, simbolo da solidariedade internacional e do progresso.

Na parte inferior do emblema está colocada uma faixa dourada com a inscrição «República de Angola».

Imagens de Angola

Luanda
Luanda
 

Luanda

Luanda

Luanda
Lunda-Norte

Lunda-Sul

Namibe

Namibe

Zaire

Uíge
Fotos: Fotografias de Angola

BREVE BALANÇO DOS AVANÇOS DA ECONOMIA ANGOLANA

Angola celebrou dez anos de paz no último dia 4 de abril, após passar por quase trinta anos de conflitos internos. Os avanços em termos econômicos e sociais são notáveis no decênio 2002-2012 e a percepção geral – visível nas ruas desta capital - é de que Angola caminha "para a frente". Não obstante, os desafios e obstáculos a serem superados são muitos e de grande monta para um país que se lança como polo de investimentos e protagonista continental.

Angola observou um crescimento econômico significativo, acima de 10% na média, nesses últimos dez anos de paz, e o valor de sua economia equivale hoje a cerca de 6% do PIB e 10% do comércio africanos, bem como a 5% dos fluxos de investimento do continente. O PIB angolano multiplicou-se no mínimo dez vezes desde o ano de 2002, ultrapassando a casa dos US$ 90 bilhões.

 A economia e o produto de Angola permanecem, porém, profundamente vinculados às receitas provenientes da atividade petrolífera e, em consequência, refletem as oscilações dos preços internacionais do petróleo. Essa dependência ficou clara durante a crise econômica mundial de 2008: com a queda do preço do petróleo, caíram também as receitas do Governo, os investimentos estrangeiros e as reservas internacionais. Em 2011, 60% da receitas do Estado foram oriundos da atividade petrolífera.

A partir do ano 2000, a balança comercial tornou-se superavitária para Angola, tendo havido elevado incremento das exportações do país, que de US$ 7 bilhões em 2002 passaram a US$ 69 bilhões em 2011, por conta do aumento da produção e dos preços do petróleo (97% das exportações do país). A produção de Angola passou de 896 mil barris diários, em 2002, para 1,7 milhões bpd nos últimos dois anos (era de 746 mil bpd em 2000). O país disputa com a Nigéria o título de maior produtor de petróleo da África subsaariana. A expectativa é de que a produção em 2012 chegue a 1,8 milhões de barris diários. As recentes descobertas do pré-sal deram novo alento à capacidade de endividamento e aos planos de médio e longo prazos do Governo.

O controle inflacionário foi outro dos avanços no decênio em tela, embora a taxa anual de inflação continue elevada e afete diretamente a maioria da população, de renda muito baixa. De 325% em 2000 e 108% em 2002, o país registrou um aumento de preços de 11,4% no último ano. A meta do Governo, bastante ambiciosa, é reduzir a taxa para um dígito no próximo ano. Os alimentos são os que mais contribuem para o aumento da inflação no país. Alguns estudos apontam que uma cesta de bens que custasse US$ 2 em 2000 hoje custaria US$ 7,5, um aumento de 375% no decênio. O elevado custo de vida e o aumento dos preços são sentidos pelo grosso da população. Em 2000, 42,4% da população vivia com menos de US$ 2 por dia, realidade que pouco deve ter melhorado (não há dados atualizados). Ademais, Luanda continua na lista das cidades mais caras do mundo.

Em termos percentuais, a estrutura do PIB está assim dividida: Petróleo - 47,06%; Comércio e Serviços - 21,19%; Agricultura - 9,85%; Construção - 7,74%; Indústria Transformadora - 5,84%; Diamantes - 0,78%; Pescas e Derivados - 0,21%; Energia - 0,13%; Outros - 7,20%. Desse quadro, destacam-se os avanços da participação, ainda que modestos, dos setores da agricultura, da indústria e do comércio, em contraste com a diminuição dos setores do diamante e petrolífero, embora este último continue sendo a principal alavanca de crescimento do país.

 O Governo tenta agora recuperar os níveis anteriores de crescimento pré-2008 e diversificar a todo custo sua economia, processo que avança lentamente. O Executivo tem tentado fomentar a indústria local, em especial a de bens de consumo, por meio de PPPs e de parcerias entre empresas angolanas e estrangeiras, instaladas por vezes em Zonas Econômicas Especiais. A estatal Sonangol expandiu seu escopo de atuação e tornou-se sócia de companhias nacionais e estrangeiras do setor da construção civil e da indústria, de modo a capitalizar empresas e viabilizar novos investimentos. Novas leis tentam lidar com esse quadro e fomentar a iniciativa privada. Destacam-se a nova lei do investimento privado, que dá vantagens fiscais ao grande investidor, a lei de micro e pequenas empresas, além da lei sobre as PPPs, todas de 2011.

 Angola concluiu em maio último o acordo de stand-by firmado em 2009 com o FMI, tendo sido bastante elogiada pelos resultados alcançados. Em três anos, o país passou a gozar de câmbio estável, inflação em queda, balança fiscal positiva (10,5% do PIB) e reservas internacionais recordes (US$32 bilhões ou 7,5 meses de importações, em jun/12). Com a ajuda do FMI, do Banco Mundial e de consultores internacionais, o Executivo tem aprimorado sua habilidade na condução das políticas macroeconômicas e na elaboração de leis e marcos regulatórios para a atividade econômica. Sinal dessa melhoria, a Fitch, em maio último, elevou o rating angolano para "BB-" com perspectiva "positiva" (antes, a qualificação era "estável"), por conta da prudência de Angola na condução de políticas que contribuíram para a recuperação e o fortalecimento das contas pública e externa, tornando o país menos vulnerável aos choques nos preços do petróleo.

Outro setor que registrou avanços notáveis foi o setor bancário, que cresce velozmente e conta hoje 24 instituições comerciais, em sua maioria privadas. A despeito da crise mundial, os lucros do setor foram recordes nos últimos anos, ainda que concentrados nos cinco maiores bancos locais. A rentabilidade dos capitais próprios (ROE) dos bancos angolanos é na média 1,74 vezes superior a dos bancos africanos, o triplo da dos americanos e 5,4 vezes superior a dos bancos europeus. O setor peca, porém, pela qualidade dos produtos e serviços oferecidos ao público, bem como pelas altas taxas cobradas.
Fonte: Itamaraty

O movimento de descolonização em Angola e Guerra Fria

POR ERMELINDA CHIVINDA

O presente artigo consiste numa abordagem geral da influência da Guerra Fria nos Movimentos de libertação em Angola que se encontrava sob domínio português.

A Guerra Fria foi uma "guerra" em que os actores se abstinham de recorrer directamente às armas, mas utilizaram, um contra o outro, as mais refinadas e agressivas formas de propaganda ideológica e intervinham no fomento de conflitos localizados em apoio, por vezes pouco dissimulados aos beligerantes. Teve início em 1950 e terminou em 1990 com a dissolução da URSS em 1991.

Enquanto os EUA defendiam um regime político democrático-liberal e uma economia inspirada no modelo capitalista, a URSS defendia um regime socialista de centralismo democrático e uma economia colectivizada e planificada.

A Guerra Fria rapidamente se estendeu a todos os continentes, transformando conflitos regionais em conflitos de âmbito internacional pela intervenção indirecta das super potências.

Relativamente à África, as super potências estimulavam a formação de facções, contribuindo com armas e dinheiro, pretendiam com isso ganhar pontos na disputa ideológica entre elas e alargar as suas áreas de influência nas antigas colónias europeias e controlar as suas valiosas matérias-primas.

Portugal, ao contrário dos restantes países europeus, recusava-se a dar a independência as suas colónias, porque para Portugal, as colónias constituíram um elemento fundamental na política de nacionalismo económico, eram um meio de fomento de orgulho nacional já que constituíam um dos principais temas da propaganda do regime, ao integrar os espaços ultramarinos na missão histórica civilizadora de Portugal e no espaço geopolítico nacional.

Consequentemente, Portugal foi condenado pela Comunidade Internacional pela resistência face à vaga de descolonização. Nos anos 60 Portugal entra em guerra com as colónias que se estendeu até 1974 e que terminou com a revolução dos Cravos. Com isso Portugal viu-se obrigada a dar a independência a esses países no ano seguinte.

No caso de Angola, a luta pela independência fez-se sentir a partir dos anos 60 com o despoletar de três movimentos (MPLA,FNLA e UNITA) que tinham a mesma finalidade, a luta pela independência de Angola, porém de maneira diferentes.

Angola foi um dos países africanos que conheceu a independência tardiamente, visto que Portugal foi uma das poucas metrópoles que após a Segunda Guerra Mundial insistia na ideologia expansionista, o que levou ao  isolamento de Portugal perante a Comunidade Internacional.

Em 1961, depois de várias tentativas para conseguir a independência, o povo angolano decidiu pegar em armas e combater contra Portugal. Essa guerra colonial foi liderada pelo MPLA.

Após a luta incessante pela independência, os movimentos nacionalistas angolanos travam entre si uma nova luta, agora civil, disputando a posse da capital. Para a realização dessa luta, contaram com o apoio de vários países, principalmente das super potências. O apoio estrangeiro a cada facção evidenciava a Guerra Fria. Os interesses não eram muitos, porém, bastantes significativos.

Angola representava um mercado excelente para a venda de armas, outro factor que despertou o interesse foi a sua riqueza natural (petróleo e diamantes). No âmbito das ajudas internacionais, a Unita teve o apoio dos EUA, da França e da África do Sul, enquanto o MPLA teve ajuda soviética e cubana. O MPA foi reconhecido pelas Nações Unidas como legítimo representante de Angola, logo que passou a deter o controle de Luanda. O que levou a união da UNITA e da FNLA. A UNITA prosseguiu a sua política de conquista do poder com medidas absurdas que em nada beneficiavam o país, tendo perdido o apoio dos EUA que passou a apoiar o MPLA.

O envolvimento comunista cubano/soviético foi enorme, porém, só foi decisivo no curso da guerra. Do ponto de vista político, foi uma luta contra e a favor do comunismo, tendo em conta as riquezas do país, tanto que em Cabinda os americanos que exploravam o petróleo chegaram a ser protegidos por guarnições cubanas. Este envolvimento acarretou consequências elevadíssimas de que Angola até hoje paga a factura.

Uma das consequências preponderantes foi o endividamento  face a Cuba, e delapidação de muitas riquezas carregadas para Havana. Foi significativa a presença cubana em Angola.

À guisa de conclusão, podemos dizer que Portugal, com a descolonização perdeu a sua dimensão imperial e ficou reduzido aos seus territórios europeus. O fim do isolamento, a descolonização  e a instituição de uma democracia pluralista marcou o regresso de Portugal a Europa, tendo aderido a Comunidade Europeia em 1986. Essa adesão teve efeitos decisivos para Portugal, quer para estabilizar a sua posição internacional, quer para consolidar a democracia.

Ao nosso ver, actualmente existe uma forma de colonização, talvez menos explícita. As políticas de globalização e de desenvolvimento tecnológico acabam por marginalizar os países do Terceiro Mundo que não têm capacidade de seguir essas políticos, acabando por depender dos países mais desenvolvidos.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Poesia: NÃO ME PEÇAS SORRISOS - Agostinho Neto

Não me exijas glórias
que ainda transpiro
os ais
dos feridos nas batalhas


Não me exijas glórias
que sou eu o soldado desconhecido
da humanidade


As honras cabem aos generais


A minha glória
é tudo o que padeço
e que sofri
Os meus sorrisos
tudo o que chorei


Nem sorrisos nem glória


Apenas um rosto duro
de quem constrói a estrada
pedra após pedra
em terreno difícil


Um rosto triste
pelo tanto esforço perdido
- o esforço dos tenazes que se cansam
á tarde
depois do trabalho


Uma cabeça sem louros
porque não me encontro por ora
no catálogo das glórias humanas


Não me descobri na vida
e selvas desbravadas
escondem os caminhos
por que hei-de passar


Mas hei-de encontrá-los
e segui-los
seja qual for o preço


Então
num novo catálogo
mostrar-te-ei o meu rosto
coroado de ramos de palmeira


E terei para ti
os sorrisos que me pedes.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Algumas curiosidades sobre Angola


O Pensador


“O pensador” é uma das mais famosas peças do artesanato em madeira e constitui um referencial da cultura angolana.

Representa a figura de um ancião, que pode ser um homem ou uma mulher. Concebida simetricamente, com a face ligeiramente inclinada para baixo, exprime um subjectivismo intencional, porque em Angola, os idosos ocupam um estatuto privilegiado representando a sabedoria, a experiência de longos anos e o conhecimento dos segredos da vida.

O pensador tem a sua origem no nordeste de Angola, onde a etnia lunda-tchokwe usa o cesto de adivinhação chamado de ngombo, do qual o sacerdote adivinhador retira pequenas figuras esculpidas em madeira, as quais irão determinar a sorte do consulente.

Foram estas figuras que resultaram na mais famosa estatueta angolana, que aparece na filigrana das notas de kwanza, a moeda nacional. Fonte: Ver Angola

Palanca Negra


A palanca negra gigante é uma espécie rara de antílope (grupo variado de mamíferos bovídeos) muito comum na Província de Malanje, em Angola. Por isso, o animal é um dos mais importante símbolos do país, tanto que os jogadores da seleção angolana de futebol são chamados de “palancas negras”, e a companhia aérea nacional TAAG viaja com este símbolo estampado em sua frota. Entretanto, a sobrevivência da espécie está ameaçada.

A raridade deste animal e as suas caraterísticas únicas fazem com que ele esteja incluído, desde 1933, nas listas internacionais de espécies sob proteção absoluta.  Fonte: Revista Afro

Imbondeiro



Árvore de grande porte oriunda da floresta angolana do Mayombe. Esse colosso vegetal pode atingir trinta metros de altura e possui a capacidade de armazenar, em seu caule gigante, até 120.000 litros de água. Por tal razão, é denominada, também, de “árvore garrafa”. O imbondeiro é considerado como sagrado, inspirando poesias, ritos e lendas. Segundo uma antiga lenda africana, por exemplo, uma vez que um morto seja sepultado dentro de um baobá, a sua alma irá viver enquanto a planta existir. Curiosamente, essa árvore tem uma vida muito longa – entre um e seis mil anos. Só a sequóia e o cedro japonês podem competir com a longevidade do baobá. Cabe salientar que essa planta foi amplamente divulgada no século XX, através da obra O Pequeno Príncipe, do escritor francês Antoine de Saint-Éxupery.

Seu nome científico é Adansonia digitata, mas é também conhecida como Baobá Africano. O imbondeiro possui um tronco muito espesso na base, chegando a atingir até nove metros de diâmetro. O seu tronco vai-se estreitando em forma de cone e apresenta grandes protuberâncias. As folhas brotam entre os meses de julho e janeiro mas, se a árvore conseguir ficar umedecida, elas podem se manter durante todo o ano. Em geral, o baobá floresce durante uma única noite, apenas, no período de maio a agosto. Durante as poucas horas da abertura das flores, os consumidores de néctares noturnos – particularmente os morcegos -, procuram assegurar a polinização da planta.

Tudo no imbondeiro serve para a sobrevivência do ser humano. Vale ressaltar que essa árvore também se constitui em uma fonte preciosa de medicamentos. Suas folhas são ricas em cálcio, ferro, proteínas e lipídios, para além de serem usadas como um poderoso anti-diarréico e para combater febres e inflamações. Um pó feito de folhas secas vem sendo utilizado para combater a anemia, o raquitismo, a disenteria, o reumatismo, a asma, e é usado, ainda, como um tônico.

Seu fruto é denominado múcua. A casca desse fruto, em forma de conchas, é utilizada pelas pessoas como tigelas. A polpa e a fibra de seus frutos são capazes de combater a diarréia, a disenteria, o sarampo e a catapora. O cerne da fruta combate a febre e inflamações no tubo digestivo; e suas sementes estão repletas de óleo vegetal, podendo ser assadas e consumidas. As raízes das mudas jovens do baobá, quando são devidamente cozinhadas, podem servir como alimento da mesma maneira que os aspargos.

Derrubar um imbondeiro é um sacrilégio em Angola. No que diz respeito à construção e carpintaria, ele só é utilizado quando não há um outro material mais adequado. Sua madeira serve para a construção de instrumentos musicais e o seu cerne rende uma fibra forte usada na fabricação de cordas e linhas. Fonte: Embaixada de Angola na Sérvia

Funge


Funge ou pirão é um acompanhamento culinário típico de Angola, confeccionado com farinha de milho ou de mandioca.
A farinha é cozida e mexida com muita frequência e de forma enérgica , para que se obtenha a consistência certa. A variante feita com milho adquire uma tonalidade amarela, enquanto que a confeccionada com mandioca apresenta uma cor acinzentada, com laivos de castanho. A consistência final assemelha-se, de certa forma, a uma cola, dado o seu carácter pegajoso.
É usado como acompanhamento da moamba de galinha. A palavra portuguesa funge é derivada do vocábulo fúngi, pertencente ao idioma Quimbundo. Fonte: Wikipédia

Kwanza


Primeiro Kwanza (AOK), 1977-1990
O kwanza foi introduzido após a independência de Angola. Substituiu o escudo em paridade e estava subdividido em 100 lwei.

Moedas
As primeiras moedas foram cunhadas sem data de emissão, apesar de todas ostentarem a data da independência do país, 11 de Novembro de 1975 e a inscrição "RP DE ANGOLA" (i.e., República Popular de Angola). Tinham denominações de 10, 20, 50 lwei, 1, 2, 5 e 10 kwanzas. Em 1978 foram cunhadas moedas de 20 kwanzas. A última data a aparecer nestas moedas foi 1979.

Notas
As primeiras cédulas datavam de 1976, mas só foram emitidas em 1977 pelo Banco Nacional nas denominações de 20, 50, 100, 500 e 1.000 kwanzas. A nota de 20 kwanzas foi substituída pela moeda em 1978.

Novo Kwanza (AON), 1990-1995
Em 1990, apesar da sua paridade em relação ao kwanza anterior, os angolanos só puderam trocar 5% das notas antigas por novas. O resto das notas teria que ser trocado por títulos do governo. O novo kwanza foi vítima de uma forte inflação.

Notas
Apenas foram emitidas notas. As primeiras cédulas emitidas em 1990 eram apenas impressões sobrepostas em notas antigas, com a nova designação: novo kwanza. As cédulas tinham as seguintes denominações: 50 (informação não confirmada), 500, 1.000 e 5.000 novos kwanzas (os 5.000 novos kwanzas eram reimpressões dos antigos 100 kwanzas). Em 1991, a palavra "novo" foi abandonada nas emissões de notas de 100, 500, 1.000, 5.000, 10.000, 50.000, 100.000 e 500.000 kwanzas.

Kwanza Reajustado (AOR), 1995-1999
Apesar da taxa de câmbio para o kwanza anterior ser de 1000 para 1, tão pequeno era o valor do kwanza antigo, a nota mais pequena emitida foi de 1000 kwanzas reajustados. A inflação continuou, tendo havido notas de 5 milhões de kwanzas reajustados. Não foram emitidas moedas.

Notas
Apesar da taxa de conversão, o valor do kwanza antigo tinha-se depreciado de tal ordem que a denominação menor das notas de banco foi de 1.000 kwanzas reajustados. Foram também impressas notas de 5.000, 10.000, 50.000, 100.000, 500.000, 1.000.000 e 5.000.000 kwanzas.

Segundo Kwanza (AOA), desde 1999
A introdução desta unidade monetária permitiu a reintrodução de moedas. Apesar de ter sofrido de alta inflação, no início, encontra-se hoje estabilizada.

Em 1999, foi introduzida uma segunda unidade monetária chamada simplesmente kwanza. Mas, ao contrário do primeiro kwanza, esta nova moeda estava subdivididas em 100 cêntimos. Com o segundo kwanza foram reintroduzidas as moedas. Apesar da inflação inicial, o seu valor encontra-se agora estabilizado. Fonte: História de Angola

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Um breve relato sobre o último capítulo da parte 4 da Geração da Utopia

Por Rebeca Brito

Como expliquei na descrição, esse blog foi criado para ser submetido a avaliação da disciplina Narrativas Africanas de Língua Portuguesa. Essa última avaliação precisa cumprir alguns requisitos, entre eles, a discussão de um capítulo de uma das últimas partes do romance “A Geração da Utopia” do escritor Pepetela.

Em tempo, para aqueles que ainda não leram o romance, eis a sinopse:

“A Geração da Utopia é o retrato sofrido dos angolanos que sonharam edificar a epopeia das lutas pela independência mas que logo se frustraram com a guerra civil que a sucedeu, das glórias e das sombras que marcaram esses longos anos de permanente conflito, e do descontentamento e da indiferença que insidiosamente se tornaram o estigma de tantos desses homens e mulheres que fizeram, apesar de tudo, um país novo.”

Eu escolhi para minha discussão justamente o último capítulo do livro, talvez por ter ficado tão intrigada com o fim do romance. O capítulo ao qual me refiro mostra como se deu o primeiro culto da Igreja da Esperança e Alegria do Dominus. 

Pensei em várias possibilidades para entender o final do romance. A última que me recorreu é que diante de tantos problemas e tantas situações complicadas, a fé em algo superior é o que ameniza o sofrimento. Mas tenho dúvidas se Pepetela terminou dessa forma para simplesmente possibilitar um "final feliz" para o povo angolano. Então, essa questão discussão não termina, pois existem sempre outros pontos de vistas para analisar a mesma cena.

O Dominus, desde a sua divulgação, bem como a quantidade de fiéis que foram arrebatados, além da maneira pela qual ocorreu o culto, se assemelha muito as igrejas protestantes e neopentecostais  no Brasil, o que torna a comparação inevitável, pois a descrição desse culto poderia ser exatamente aqui no país. Aliás, é impressionante a quantidade de cenas descritas ao longo do romance que poderíamos dizer tranquilamente que se passam no Brasil.

Angola pode ser aqui, o Brasil pode ser lá. Acredito ser possível reduzir esse distanciamento que existe entre nós brasileiros e os povos do continente africano. Em geral sabemos de forma tão reduzida sobre a África e é evidente que devemos conhecer a história dos nossos ancestrais africanos. Ao procurar esse saber, devemos não apenas nos situarmos no passado, mas conhecermos também a história contemporânea: o cotidiano, a economia, a produção científica e literária, as culturas, os valores etc.. 

É difícil descolonizar nossas mentes quando aprendemos durante anos de forma equivocada a história africana. Boaventura Souza Santos, em seu texto Renovar a teoria crítica e reinventar a emancipação social, questiona se o que nós aprendemos vale o que desaprendemos ou esquecemos. Realmente é um grande desafio aprender outras coisas sem esquecer nossos conhecimentos próprios. 

Entretanto, precisamos encarar esse desafio e despertar o interesse sobre a história do nosso povo. Precisamos, por exemplo, atribuir a África o mesmo grau de importância que damos a Europa e aos Estados Unidos.

É um desafio grande para nós brasileiros, pois precisamos aprender aquilo que não nos foi contado, ou que propositalmente nos fizeram esquecer. Qual a melhor maneira de modificar essa lógica ainda é algo a se pensar.